Princesinha do
mar azul-anil, encrustrada na famosa e belíssima Côte
d’Azur, no Sul da França, a cidade de Nice, capital da Riviera Francesa,
é um dos lugares mais badalados do mundo. Preferida pelos grandes
curtidores do Jet Set, em Nice encontram guarita nudistas e defensores
da liberdade do corpo, do sexo, do sol, do brilho e dos paetês.
Grandiosos e intermináveis festivais nos garbosos iates e outros tipos
de barcos, loucos e cheirosos, agitam o Mediterrâneo. Nice, seus
palácios, seus cassinos. Mas por trás deste cartão postal
tropicalizante, da imagem artificial e redutora que ele costuma passar
-- o de uma Nice como centro de atração dos bilionários
e artistas--,
existe uma cidade e um município merecedores do reconhecimento de seu
valor. O projeto deste site é de fazer com que vocês descubram
a
verdadeira natureza e a profunda riqueza desses lugares, como também
a
formidável atividade criativa de seus habitantes.
Pois a história de Nice, longa e complexa, produziu uma identidade
particular, que se mantém até hoje..Essa história é
muito diferente da
imagem de opulência e ociosidade de um balneário chique, forjada
sobre
uma região realmente privilegiada.. De fato, raros são os aspectos
da
cultura, da tradição e da formação dos naturais
da região que escapam à
imagem contraditória criada sobre essa população original.
Basicamente, o município de Nice não é uma região
rica. Tem território
montanhoso, área de 3 000 km2, com orla marítima estreita de
Nice à Cap
d’Ail, na qual a pobreza, ao longo dos séculos, foi sempre a marca
mais
visível. Nice viveu, então, essencialmente do comércio
modesto entre
Marseille et Gênes e entre o mar e Piémont, exportando sobretudo
azeite,
madeira e couro vindos da montanha, e padecendo de um déficit alimentar
crônico, evidente a cada conflito.
Até hoje essa pobreza se reflete na cozinha niçoise, uma cozinha
de
produtos simples, ditada pela necessidade de aproveitar os restos, o que
fez com que ela se tornasse uma verdadeira obra de arte. O que há muito
tempo gerou o valor de Nice e de sua região foi sua posição
estratégica:
tanto recebe, com sua orla marítima, quanto preserva como uma guardiã
os
caminhos para os Alpes Meridionais. Em 1860, o município de Nice
descobriu a França como sua nova pátria, e aprendeu, às
vezes com
dificuldade, a conhecê-la para nela se integrar.
Em 140 anos, Nice passou de 44 000 a 370 000 habitantes. Ela viu
florescer o turismo, inventou a horticultura moderna, multiplicou sobre
suas colinas os castelos e vilas de milionários e de aristocratas,
abriu
ruas e boulevards, construiu cassinos, ópera, hotéis de um luxo
inacreditável, Nesse turbilhão cosmopolita, a identidade niçoise,
aquela
do povo modesto, simples, mantém-se por meio de sua língua,
permanecendo
por trás da cena sem no entanto desaparecer. Numerosos autores, como
Francis Gag (1900-1988), de importantes associações, como a
Academia
nissarda, fundada em 1904, a defendem e a desenvolvem sem trégua.
Desde os anos 1930, o nascimento do turismo de verão, em massa,
contribui ainda mais para privilegiar a imagem do sol em detrimento da
imagem da alma de um povo antigo, grego, latino, barroco, mediterrâneo
et montanhês, pobre e rude, simples e amoroso. A lei do ariano, do
sentimento nacional, que pretende vir explicar a situação hoje,
sem
compreender e sem conhecer o passado, deixa pouco espaço para as nuances
de uma história política complexa e de uma cultura múltipla.
No entanto,
são esses delicados matizes históricos que, atrás das
palmeiras
indolentes, nas ruas silenciosas da alta Velha-Nice, nos quarteirões
industriais do Porto, nos caminhos sombreados das colinas, fazem bater o
coração e vibrar a alma dos homens e das mulheres desta terra,
ao mesmo
tempo, levando-os a descobrir para o compreender, muito além dos
clichês, a profundidade. Sejam bem-vindos a nosso site, sejam bem-vindos
a nós.